| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Passeri |
| Parvordem: | Passerida |
| Família: | Icteridae |
| Vigors, 1825 | |
| Subfamília: | Agelaiinae |
| Swainson, 1832 | |
| Espécie: | G. chopi |
O graúna é uma ave da ordem Passeriformes, da família Icteridae.
O graúna (derivado do tupi “guira-una” = ave preta), é também conhecido como pássaro-preto, chico-preto (Maranhão e Piauí), arranca-milho, chopim, chupim (São Paulo), chupão (Mato Grosso), assum-preto e cupido (Ceará), melro e craúna (Paraíba).
Dentre as várias inspirações ao cancioneiro popular, esta se destaca por sua letra e pujança na voz de Luiz Gonzaga:
Tudo em volta é só beleza
Sol de abril e a mata em flor
Mas assum-preto, cego dos oio
Não vendo a luz, ai, canta de dor
Mas assum-preto, cego dos oio
Não vendo a luz, ai, canta de dor
[…]
Essa música relata um ato cruel entre gaioleiros, principalmente do nordeste, que furavam (em algumas regiões ainda o fazem) os olhos do graúna, pensando que assim ele cantaria mais na gaiola. Esse procedimento bizarro também é feito com o sabiá.
Na literatura, José de Alencar escreveu no romance Iracema:
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da Jati não era doce como seu sorriso (…)
A Graúna, personagem do cartunista brasileiro Henfil, fez a cabeça de toda uma geração. Nordestina, analfabeta e muito esperta, ela contracenava nas páginas do Jornal do Brasil e do hebdomadário O Pasquim com o Bode Orellana e o Cangaceiro Zeferino, trazendo um humor crítico e ácido que denunciava as ações da Ditadura nos anos 1970 e 1980.
Seu nome científico significa: do (grego) gnorimos = notável; e psar, psarus = estorninho; e do (guarani) chopi onomatopeia que faz referência ao canto desta ave. ⇒ (Ave) notável parecida com um estorninho. Vale lembrar que a referência a aves europeias era comum, pois os ornitólogos que descreveram pela primeira vez estas espécies faziam associação e referiam-se às aves que conheciam no Velho Mundo.
Mede entre 21,5 e 25,5 centímetros de comprimento e pesa entre 69,7 e 90,3 gramas.
É inteiro negro incluindo pernas, bico, olhos e penas, o que origina seu nome popular. Filhotes e jovens não possuem penas ao redor dos olhos. Trata-se de um dos pássaros de voz mais melodiosa deste país. A fêmea também canta.
ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL
São 3 subespécies reconhecidas:
(IOC World Bird List 2017; Aves Brasil CBRO 2015).
Onívoro. Come frutos, sementes, insetos, aranhas e outros invertebrados. Aprecia o coco maduro da palmeira buriti. Apanha insetos atropelados nas estradas e aproveita restos de milho junto às habitações humanas ou desenterra sementes recém-plantadas.
Atinge a maturidade sexual aos 18 meses. Faz ninho em árvores ocas, troncos de palmeiras, ninhos de pica-pau, em mourões, dentro do penacho de coqueiros e nas densas copas dos pinheiros, utilizando também ninhos abandonados de joão-de-barro. Ocupa buracos também em barrancos e cupinzeiros terrestres. Às vezes faz um ninho aberto, situado em uma forquilha de um galho distante do tronco, em uma árvore densa e alta. Cada ninhada geralmente tem entre 3 e 4 ovos, tendo de 2 a 3 ninhadas por temporada. Os filhotes nascem após 14 dias e ficam no ninho 18 dias. O macho ajuda a criar a prole.
É comum em áreas agrícolas, buritizais, pinheirais, pastagens e áreas pantanosas, plantações com árvores isoladas, mortas, remanescentes da mata. Sua presença está fortemente associada a palmeiras. Vive normalmente em pequenos grupos que fazem bastante barulho. Pousa no chão ou em árvores sombreadas. Há quem confunda o graúna com o atrevido chupim (Molothrus bonariensis), famoso por parasitar o ninho de várias espécies (ex.: tico-tico). Enquanto o chupim é elegantíssimo, esguio e traja cintilantes vestes de tom violáceo, o graúna é negro e de porte mais avantajado, além de saber nidificar, não se descuidando da criação da ruidosa prole. No nordeste ocorre a subespécie (Gnorimopsar chopi sulcirostris), que é maior, medindo 25,5 centímetros de comprimento. Quando canta arrepia as penas da cabeça e pescoço.
Excluindo-se a Amazônia, onde está presente apenas no leste do Pará e Maranhão, é encontrado em todo o restante do País. Encontrado também no Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.
Para o estado de São Paulo a espécie consta no Anexo III do Decreto nº 56.031/10 classificada como 'quase ameaçada' (NT), o que significa que, levando-se em conta sua avaliação quanto aos critérios estabelecidos pela International Union for Conservation of Nature (IUCN), o táxon não se qualifica para as categorias de ameaça apresentadas no referido Decreto, mas mostra que ele está em vias de integrá-las em um futuro próximo (Art. 2º; IX).
Consulta bibliográfica sobre as subespécies: